
E JESUS ORAVA EM LUGAR DESERTO (Mc 1,29-39)
OS EVANGELHOSMC 1PR
Antonio Carlos Santini
1/14/20263 min ler
Os temperamentos ativos (e agitados...) prestam muita atenção na ação missionária de Jesus de Nazaré. Talvez se esqueçam do homem de oração que ele sempre foi. Aqui e ali, das tentações no deserto, passando pela escolha dos apóstolos, até a agonia do Getsêmani e o drama do Calvário, Jesus aparece em oração, atento ao Pai.
Em questão, o discutido binômio vida ativa e vida contemplativa. Sobre o tema, escreve Gerhard Teerstegen (1697-1769):
“Por vida ativa eu entendo aquela atividade em vista da conversão e da salvação do próximo; por vida contemplativa, a relação oculta com Deus na oração.
Há um tempo em que as duas podem coexistir. Digo “há um tempo”, porque a mania imatura de querer instruir e converter pertence ao cristianismo da mesma maneira que a doença pertence ao corpo! E eu acredito que é preciso ter feito um bom pedaço de caminho com Jesus antes de poder ser admitido no restrito círculo dos apóstolos (cf. At 1,21-22). O próprio Filho de Deus – o que é um mistério – não se manteve escondido durante trinta anos antes de começar sua vida pública e ativa?
E se alguém é verdadeiramente chamado e enviado pelo Salvador para o serviço e o despertar do próximo, a vida ativa deve sempre, como antes, permanecer submissa à vida contemplativa, e esta última deve continuar sendo sua preocupação mais importante.
Quero dizer que esses discípulos não deveriam ficar o tempo todo a agir, sair e falar, mas que é necessário para tais apóstolos reunir-se com frequência junto de Jesus para com ele se entreter e descansar um pouco em um local deserto (cf. Mc 6,30-31). Isto permite que a Palavra permaneça sempre ligada à perseverança na oração e a ela subordinada.”
Como nos ensinou o Papa Bento XVI, “o nosso tempo não favorece o recolhimento e, às vezes, fica-se com a impressão de ter medo de se separar, por um só momento, dos instrumentos de comunicação de massa. Por isso, hoje é necessário educar o Povo de Deus para o valor do silêncio. Redescobrir a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja significa também redescobrir o sentido do recolhimento e da tranquilidade interior”.
“A grande tradição patrística ensina-nos que os mistérios de Cristo estão ligados ao silêncio, e só nele é que a Palavra pode encontrar morada em nós, como aconteceu em Maria, mulher indivisivelmente da Palavra e do silêncio. As nossas liturgias devem facilitar esta escuta autêntica: Verbo crescente, verba deficiunt [aumentando as palavras, elas se enfraquecem]. (Exortação apostólica Verbum Domini, 66)
Orai sem cessar: “Fala, Senhor, que teu servo escuta!” (1Sm 3,10)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

Escute a reflexão no vídeo abaixo
Leitura do Evangelho de São Marcos, Cap. 1, 29-39
29 Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus e a respeito dela. 31 Ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.
32 À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se ajuntou à porta da casa. 34 Jesus curou muitos que sofriam de diversos males e expulsou muitos demônios. Ele não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros saíram à procura de Jesus. 37 Quando o encontraram, disseram: “Todos te procuram”.
38 Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39 E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.
Esboço para a antiga igreja de Saint-Vincent-de-Paul:
Jesus curando cegos e coxos
François-Louis Dejuinne / 1817
Petit Palais, Paris, França


